A eternidade de cada texto ou até um livro, é a sequente futura ação do escritor que abriu o cenário com apenas uma letra. Por isso vos digo que a minha vida era um Livro aberto com as folhas soltas ao vento. De súbito, e não mais que de repente, aos 25 anos de idade, veio um tufão chamado Descolonização!... (Silvino Dos Santos Potêncio)
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
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Recebi uma fotomontagem há vários anos atrás, na qual se lê que " a potencia intelectual do Homem está de acordo com a sua capacidade humoristica"!... Pensei nesta hipotética verdade filosófica e,  depois de uma conversa com um Critico Literário ( O Saudoso Amigo e Poeta Coronel Joaquim Evônio)  que leu alguns dos meus escritos em forma de sátira, cujo título eu publiquei em Blog e Livro Homônimo "OS GAMBUZINOS"  ele me dizia...Isto que escreves resume o que penso sobre charges e outras cositas "más"  (este "cositas más" não é um predicado de boas qualidades e sim um adjectivo de quantidade usado por "nuestros Hermanos").
A cada leitura que aqui se faça as ilações são de cada um pois que, sabemos, cada leitor tem a sua interpretação pessoal. E para justificar a minha opinião pessoal a respeito, eu vou abrir uma exceção à minha Regra Ética.
Por norma ética eu não costumo transcrever poemas de outros autores sem a prévia permissão mas hoje eu sigo o pensamento do Inolvidável José Régio... Que, evidentemente não pode me dar autorização para eu me espelhar aqui neste seu pensamento unipessoal. É que, desde que me conheço, por norma ou presunção eu também costumo recusar a ir por onde outros querem que eu vá!  E esta sina, que há muito me fascina e faz sina. 
Por isso escolhi este poema que transcrevo, não por falta de talente meu ou inspiração e sim tão só porque eu só sei que não vou por aí! 

"CÂNTICO NEGRO"
 "Sei que não vou por aí!..."

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços, E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! --- Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Autor: José Régio  
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Data Vênia, faço minhas as tuas palavras e acrescento; amigos não se despedem, marcam encontro em outro lugar! Até lá... 
Silvino Potêncio
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 09/01/2015
Alterado em 09/01/2019
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