A eternidade de cada texto ou até um livro, é a sequente futura ação do escritor que abriu o cenário com apenas uma letra. Por isso vos digo que a minha vida era um Livro aberto com as folhas soltas ao vento. De súbito, e não mais que de repente, aos 25 anos de idade, veio um tufão chamado Descolonização!... (Silvino Dos Santos Potêncio)
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos


De: Silvino Potêncio....  ® Os Gambuzinos (298) >>> Os Caminhos da Emigração!
... A genialidade é inimiga directa da publicidade,  e prima carnal da vaidade esvoaçante do ser humano que não pensa!, daquele  que apenas vive exdruxulamente  ao sabor da corrente, que o leva em direcção ao nada!... (Silvino Potêncio)
A Minha Mãe (que Deus me levou e já lá tem...) a Ti “Julheta” de Caravelas – Mirandela, ela teve 11 filhos, contudo os últimos 3 não resistiram ao parto e ficamos então nós 8,  dos quais eu sou o mais novo.  Éramos 7 Homens e uma Mulher e todos os homens nós fomos alistados ao serviço do Exército Português (com excepção da Minha Irmã por não ter sido convocada pela Lei, claro...) ou seja, todos vestimos a “farda” tal como o Meu Pai também já o tinha feito antes de casar com a Minha Mãe.  Entretanto nenhum de nós não seguimos nenhuma carreira Militar, apenas cumprimos o nosso dever de cidadãos alistados no Exército Português cada um a seu tempo.
Por duas vezes coincidiu de termos dois Irmãos da mesma Familia convocados para Zona de Guerra ao mesmo tempo, os dois primeiros  convocados em Portugal e eu, nos dois segundos porque eu já vivia em Angola desde os 16 anos de idade  o que, segundo  me parece, isso não deveria estar previsto na Constituição nem no Regulamento Militar mas,  tudo isso ela,  a nossa Saudosa Mãe,  suportou como Transmontana que foi, durante 98 anos – quem me dera que eu pudésse chegar à idade que ela chegou!  
Exdrúxula atitude de civilidade Portuguesa mostrou o meu Irmão Manuel que,  embora já tivésse dado o “Salto” para França à data de ir “às sortes” ele voltou a Portugal para fazer o seu recenseamento. Foi alistado e cumpriu o tempo de serviço obrigatório na época – uma parte em Portugal e outra parte em Angola.
Ele ainda não tinha terminado o serviço dele e já eu havia sido alistado por Luanda, Recrutado em 12 de Janeiro de 1969 e lá cumpri também o meu tempo obrigatório do qual eu me orgulho até que Deus mo permita.
Mas,... esta minha crônica de hoje, não tem por objectivo fazer uma auto-biografia, nem tão pouco vos trazer qualquer tragédia familiar de monta.
Não!... A razão deste meu desassossego que me reverte às memórias de 50 a 60 anos atrás,  vem dos factos mais recentes dos quais  eu leio aqui no tal “Face Book”,  tantas e tantas críticas, arrazoadas e múltiplos comentários de todos os tamanhos e feitios!... Felizmente a maioria são de leitores e Amigos que, de alguma maneira, já me conhecem ou leram algo sobre mim. 
Mas surgem sempre também alguns comentaristas  cuja intenção crítica subreptícia é bastante duvidosa – sobretudo daquelas que raiam as fronteiras da idiotice e da ignorância dos factos destes últimos anos... 
E é cá cada comentário,...  muitas das vezes deliberadamente dirigido a nós, na condição de Retornados e Emigrantes,  que até me arranham os “timbernilhos”,  e me levam a dar o troco na mesma moeda.
Sim... porque só se é retornado quando se retorna aonde já se esteve, e só se é Emigrante quando se vive fora das nossas origens.
 - Só que eu faço estes relatos e réplicas – algumas tréplicas - quase sempre à minha maneira,  dependendo do tempo que me sobra para estas coisas:
Aqueles que, de alguma forma me seguem e teem lido alguns dos meus “escritos” nestes ultimos anos, esses  na sua generalidade  gostam do que digo e escrevo,  porém alguns outros, felizmente poucos, ao interpretarem as minhas ironias, as minhas sátiras humorísticas e muitas desilusões e as vivências dos últimos mais de 50 anos na Emigração – dizia eu – eles me replicam de forma intempestiva, abusiva muitas vezes ofensiva sem razão nenhuma.
Apenas para exemplificar: durante as últimas enxurradas na região de Lisboa eu comentei os muitos problemas causados pela chuva sim,... mas mais pela incúria e a incompetência dos Chefes da Edilidade Alfacinha... todos sem excepção, mais do que pela descarga da Mãe natureza que tanto sofre pela mão do homem.   
Teve um que me acusou de ter “fugido” para a Emigração – imaginem bem!... fugido para a emigração, longe dos meus, longe de tudo e nas condições que eu fui forçado a fazê-lo quando era RETORNADO em Portugal! --- Dizia o sujeito que, como eu fugi para a Emigração há muitos anos, eu não conhecia as realidades locais... só “ele” que ficou aí anos e anos  a aguentar toda essa desgraça aí na “santa terrinha”,  só ele podia analizar e comentar a preceito.
Outra Senhora residente lá para as Bandas do Alentejo, ela antes era um xódò só!... ela escrevia sempre  um “mela-mela”  nas mensagens que ela me fazia a contar mundos e fundos das maravilhas do Portugal do pós Abriu-looooooooooooo!...abriu-lo  o gógò para o POVO gritar oh Grande Olá Vi la Morena, Terra das Necessidades... quando eu publiquei que Lisboa cheira mal, cheira a podre e a maresia, cheira a Lama da politica desastrada, corrupta e descarada, ela a tal Senhora, de repente abespinhou-se toda e cortou ligações virtuais. Porém antes,  ainda comentou que se admirava de eu ter dito tais alarvidades sobre os intrépidos governantes que deixaram o país no Estado lastimável que qualquer um vê hoje em dia!... basta ter um só olho na cara.
Outros mais assanhados quando se fala de liberdades individuais e muitas benesses colectivas, esses então voltam sempre com retóricas próprias de autênticos  “leões de chácara” ao serviço de uma pseudo-democracia,  para denegrir qualquer resquício de Portugalidade que ainda nos resta na lembrança dos homens e das mulheres de bem,  que eu conheci mas já vão indo no caminho da morada derradeira, aquela que não importa se é um luxo ou apenas uma vala comum. – Aquela que é afinal,  a única certeza que nos resta no final da jornada e encerro esta minha retórica com as palavras do Mestre Nobel Escritor e Ilustre Poeta Co-Provinciano “Miguel Torga”... nascemos sós, vivemos sós e morremos sempre sós!   
Silvino Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
www.silvinopotencio.net
Original Publicado no Blog: “os gambuzinos”
 

Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 14/01/2015
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