Se recordar é viver, então recordemos! --- Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores tristes de um passado já distante!
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
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​                                 Entrada do Castelo de Silves (1990)



Eu Cheguei ao Algarve, pela primeira vez, no início do Inverno de 1975, na condição de Retornado de Angola, por condescendência dos "Senhores do Poleiro Lusitano" daquele tempo e, por ali andei cerca de dois anos mais, até encontrar um "pouso" mais ou menos certo para garantir a sobrevivência pessoal no Rectângulo Ibérico!
​Trabalhei  e vivi mais dois anos na Beira Baixa de onde se via, no Inverno, a  Serra da Estrela coberta de neve.
​O que, para quem vinha dos trópicos, era o preço a pagar para se adaptar de novo às origens.   
- Todavia eu hoje não venho aqui para vos relembrar amarguras de um passado longíquo que,  apesar de gravado na nossa memória para sempre a ferro e fogo, tudo fazemos para esquecer as desilusões de tantos e tantos sonhos amortalhados ainda antes de eles nos surgirem à luz da razão.
- Segundo noticias do Nordeste Transmontano (das nossas sempre lembradas Terras Altas)  hoje chega-nos a informação de que o manto branco da Primavera das Amendoeiras em flor já chegou por lá, embora o calendário lunar ainda lhe faltam uns 20 dias para tal Estação Primaveril acontecer.
Logo no início de Março de 1976,  ao descer pela segunda vez a Serra do Caldeirão eu me surpreendi ao olhar na direção do mar e ver aquele manto de flores que hoje vai sendo reduzido gradualmente na medida em que dá lugar a condominios de luxo, hoteis e residencias particulares, na maior parte alienados a estrangeiros que escolhem a beleza natural destes lugares há muitos séculos,  ainda e bem antes da ocupação Romana e Arabe.
Esta lembrança me suscitou reler contos e narrativas e  do meu Baú Algarvio e por isso vos deixo aqui este registro com um agradecimento especial a quem me mandou a foto acima.
                 *****
.... Há muitos e muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem rei Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota.
Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu a linda Gilda, uma princesa loira de olhos azuis e porte altivo.
Impressionado, o Rei Mouro deu-lhe a liberdade, conquistou-lhe progressivamente a confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher.
Foram felizes durante algum tempo, mas um dia a bela princesa do Norte caiu doente sem razão aparente.
Um velho cativo das terras do Norte pediu para ser recebido pelo desesperado rei e revelou-lhe que a princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. A solução estava ao alcance do rei mouro, pois bastaria mandar plantar por todo o seu reino muitas amendoeiras que quando florissem as suas brancas flores dariam à princesa a ilusão da neve e ela ficaria curada da sua saudade.
Na Primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo e a princesa sentiu que as suas forças regressavam ao ver aquela visão indiscritível das flores brancas que se estendiam sob o seu olhar.
O rei mouro e a princesa viveram longos anos de um intenso amor esperando ansiosos, ano após ano, a Primavera que trazia o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor.
Original extraído do Meu Livro "Estórias de Um Caixeiro Viajante" - em formatação!

De: S.S. Potêncio ....   Lembranças do Algarve
 
Das amendoeiras em flor, 
Eu tenho mil recordações...
Lá perdi um grande amor,
Que me levou p'ras minhas emigrações!
 
Do Algarve pequenino,
Verde, verde em sonhos vi...
Um futuro de menino,
Pelo muito que lá li!
 
Eram livros da biblioteca
Ambulante ou viajeira...
De tarde eu dormia um soneca
Só p'ra ler a noite inteira!
 
E dois anos se passaram,
Do Alvor a Monte Gordo,
De Sines até me chamaram...
Mas caí que nem um tordo! 
 
Em Março ainda bem cedo,
Do Alto do Caldeirão...
A serra desci sem medo,
E flores eu vi de montão!
 
Espalhadas na planura,
Das terras que vão dar à Praia...
Amendoeiras da minha amargura,
Mostram-me... segredos da tua saia!
 
Silvino Potêncio - Algarve/1976
Publicado em: RECANTO DAS LETRAS
Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal (Brasil)

 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 01/03/2015
Alterado em 16/02/2019
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