A eternidade de cada texto ou até um livro, é a sequente futura ação do escritor que abriu o cenário com apenas uma letra. Por isso vos digo que a minha vida era um Livro aberto com as folhas soltas ao vento. De súbito, e não mais que de repente, aos 25 anos de idade, veio um tufão chamado Descolonização!... (Silvino Dos Santos Potêncio)
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos


Dos tempos que eu não tinha dono!...

De: S.S. Potêncio  > Dos tempos que eu não tinha dono!.
 
Ali,... na Póvoa de Santo Adrião, 
- à entrada p'ra Odivelas.
Parei na berma da estrada,
- e encontrei o Senhor Roubado! 
De Carriche eu subi a Calçada,
- que me lembrava a Aldeia de Caravelas.
A Rosélia mora lá, em endereço não encontrado. 
 
***** 
Qual "malhoa" ali pintado,
- Era igual aos quadros das "alminhas",
Da minha terra eu ali vi!
...Era o Nosso Senhor Roubado
- a guardar o nosso sono.
 
Noite e dia e já lá vão tantos anos!,...
- tantos como estas saudades minhas,
Dos tempos que eu não tinha dono!
​Eu ali vi tantas "Alminhas"

 
*****
Parido da ilusão,
- de ali ver o Senhor Roubado,
Que está lá dependurado.
Na Cruz, da Póvoa de Santo Adrião.
E assim eu ali renasci,  
Dos tempos que eu não tinha dono!

Mas que agora me roubam o sono.
 
*****
Deixem-me estar!,
... aqui tão bem sossegado.
Na valeta estou pendurado.
- Por isso eu não quero mais não!

Da rima já estou divorciado!...
- E deste poema enjeitado eu me sinto,  
Tal como Senhor Roubado,
​Está lá na Póvoa de Santo Adrião!

 
*****  
Qual "malhoa" ali pintado,
- igual aos quadros das "Alminhas",
Da minha terra eu O vi ali!, 
O Nosso Senhor Roubado,
Ali está a guardar o nosso sono. 
 
Noite e dia e já lá vão anos!,...
- tantos como estas saudades minhas!
Dos tempos que eu não tinha dono!
 
*****
Parido da ilusão,...
- de ver ali o Senhor Roubado,
Que está lá dependurado,
Na Cruz da Póvoa de Santo Adrião...
Eu renasci dos tempos que eu não tinha dono!
Mas que agora me roubam o sono.
 
******
Digo e repito:

Deixem-me estar!,
... aqui tão bem sossegado.
Na valeta estou pendurado.
- Por isso eu não quero mais não!

Da rima já estou divorciado!...
- E deste poema enjeitado eu me sinto,  
Tal como Senhor Roubado,
​Que está lá na Póvoa de Santo Adrião!


Deixem-me estar!,... aqui tão bem sossegado.
Na valeta dependurado pois eu,
- Não quero mais não!...
​Eu não quero ver o Senhor Roubado.

Da rima eu já estou divorciado...
E do poema eu já estou enjeitado, 

Pois já me sinto o Senhor Roubado
Da cruz,... daquela da  Póvoa de Santo Adrião!
 
(in: “Poesias Soltas” ! De:- Silvino Potêncio )
www.silvinopotencio.net

Nota do Autor:
Eu escrevi este poema em memória ao meu primeiro ano de Emigrante. Cheguei a Lisboa com 13 anos de idade, ainda no tempo de levar uma saquita de pano ou um sarrão dependurado no ombro (feito com pele de cordeiro ou cabrito). Lá dentro uma chouriça ou um cibo de queijo no meio de uma côdea de pão! ... bebia-se água pura numa fontela e voltava-se para casa já de noite.
Já em Lisboa (Odivelas) trabalhava sete dias por semana e às vezes sobrava uma hora ou duas nas manhãs de Domingo quando então aprendi a andar de bicicleta numa Rua entre Odivelas e a Póvoa de Santo Adrião.
Eu me sentia livre sem dono como um vira-lata (daí o título deste poema que já está publicado na Antologia Poética I da Editora Minerva 2012)  porém na prática eu era tratado bem pior do que  lá nas Terras Altas de onde eu vim.    
Hoje o republico aqui com música de fundo de um Fado que começa assim: “Alguém que Deus já lá tem”... em memória da minha Querida Mana que acaba de partir...  
 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 15/03/2015
Alterado em 06/02/2017
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