A cultura de um POVO não pode, não deve NUNCA! se submeter a ideologias politicas ou partidárias!pois que inspiração ou intelecto criativo não se compra nem se se vende, é como o amor, já vem do berço! (Silvino Potêncio)
CapaCapa
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos





 Os  "Tinhosos" do Rossio!

Extraídas do meu Livro "POESIAS SOLTAS"  eu transcrevo alguns Poemas meus em forma de sátira à politica Portuguesa daquela época. Aquela Politica  que o Governo de Lisboa em conluio com os Candidatos a Governo nas Ex Colonias,   criou uma Classe Social  excomungada do POVO DE PORTUGAL ao abandonarem Centenas de Milhares de Portugueses durante o processo da Descolonização dos Territórios Ultramarinos...OS RETORNADOS! 
Durante meses e até nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 eles (eu incluso) vagavam pela cidade em busca de alguma ajuda ou solução de futuro, enquanto não surgia uma porta para a Emigração e o ponto de encontro,  nem sempre marcado ou agendado, era geralmente ao acaso  na Praça do Rossio na Baixa de Lisboa.
Daí me surgiram estes versos que eu escrevi em forma de sátira,  e hoje os dedico a todos os companheiros do infortúnio pelo qual passámos. Não somos vingativos, mas temos memória!



Uma Ode aos Tinhosos do Rossio
 
No Rossio ou Mouraria,
Em toda a esquina existia!
Um grupo de Retornados...
Era um disse que "tinha" tão grande...
Que da Baixa ao Campo Grande
Ali só se viam "tinhosos"!...
 
Passei de frente ao Saldanha,
E a raiva era tamanha...
Que a gente corria encilhada,
Já prontos para ir a galope
P'ra cima daquele torpe
Politico dos mais rançosos!
 
Coça daqui e dali,
Semanas e meses eu vivi!
Em busca de algum sustento 
Lá fomos para o Gueto Algarvio!
Tal qual sardinha enlatada por um fio, 
Uns por isto, outros por nada...
 
Do IARN à palhaçada,
Dos Acordos do Alvor não sobrou nada!
Nem fruto nem dignidade...
Portugal envaidecido na Sorbonne Leiloado
- E por ter uma Guerra Perdido  
Ali foi todo vendido ao capital estrangeiro.
 
Quem deu mais foi o primeiro,
A zarpar p'ro estrangeiro...
Em cima da fama assentado,
Ufano de voltar ao lar
P'ra todo o Povo enganar
Foi ele... o Bush Echas tão lampeiro
 
A enriquecer tão arteiro,
A praticar  o "Escambau"
Que do Minho até Macau,
Açambarcou o que pode
Feito Lobo em pele de BODE!...
E assim quem tanto tinha, ...
Hoje nada tem, ali definha!  
(In; Poesias Soltas - Lisboa/Nov.1975)

De: Silvino Potêncio - Ex Combatente, Ex Retornado, Ex Residente, Ex Comungado do IARN, Ex Pulso do Gueto Aulgarveschwitz e DACHAU

Nota de Rodapé: eventualmente esta música de fundo é também uma Glosa musical da Autoria do Amigo Retornado de Moçambique o Jornalista Romão Félix mais conhecido por "PARAFUSO".
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 26/12/2016
Alterado em 07/03/2017
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários