A índole de cada um de nós (BOA OU MÁ) já vem no sangue. O ambiente onde se vive, é a moldura que os homens lhe fazem ao longo do tempo! (Silvino Potêncio)
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante! (Silvino Potênci
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Na poesia de cordel, cada “Causo é um Causo”!
 
Hoje, e pela primeira vez, eu fui assistir à Cerimônia de Cremação de um Amigo, "Poeta Matuto", como ele se auto intitulava ao longo da sua Obra Literária, no estilo Literatura de Cordel. - Eu Conheci Bob Mota há mais de 32 anos, e quase sempre ele me trazia à lembrança o Meu Padrinho, O Ti Manuel "Maneiras" que era Pastor lá na Aldeia onde eu nasci, pelo simples facto de que tanto um como o outro, na maioria das vezes que nos encontrávamos a conversa girava à volta da rima "quadrada".
Assim... do meu Livro "Curriças de Caravelas - Trovas Comentadas" eu vos trago esta lembrança...
 
…O meu padrinho é pastor,
de nome próprio Manuel Maneiras,
Ele arrima tudo com amor,
p’ra ele não tem asneiras!

-- Guarda as cabras e ós carneiros,
bem lá no alto do Cabeço,
-- Não importa qual seja o cancioneiro,
Ele só me respondia em verso!
(extraído do livro "Curriças de Caravelas - Trovas Comentadas")
E do Amigo Bob Motta... eu vos trago estes versos:


... Tava bebendo cachaça
cum um poeta paraibano,
Ele inrolô um cigano,
numa troca de animá.
No açude de buqêrão,
meiguiêi fazendo farra,
saí na bôca da barra,
lá na Ridinha, in Natá!
(extraído do Livro "No Cantinho do Zé Povo, Cada Causo é um Causo)
 
Tanto em um como no outro, para melhor entender este linguajar poético e rimado é necessário, de alguma forma, conhecer bem o estilo - melhor dizendo, o esteriotipo literário escolhido por cada um e sobretudo o conhecimento da língua de todos nós,  nas suas inúmeras vertentes incorporadas ao longo de mais de muitos séculos.  O linguajar Nordestino Português ainda incorpora muitos termos do Mirandês, alguns eu uso na forma original,  assim como também no linguajar Nordestino Brasileiro o povo incorporou ao Português dos tempos de Caminha e de Cabral, uma infinidade de verbetes a mais das vezes autênticas corruptelas das palavras coloquiais do dia-a-dia local, também conhecidas por “pegadinhas” da lingua Portuguesa.  
Vale acrescentar aqui alguns "sinónimos" e ou expressões  idiomáticas como semples adaptações fonéticas ao texto do “Bob” para deles se entender melhor o sentido do trocadilho e do “causo” intrínseco em cada um deles:



* cachaça = aguardente de cana de açucar
* cum um = com um
* inrolô = enganou
* animá = animal
* buqerão = boqueirão
* meiguiêi = naveguei
* farra = baile popular
* bôca da barra = foz do rio
* Ridinha = Redinha
* Natá = Natal
Magistralmente o Poeta nos coloca na cena do "Causo" deste cigano vigarista no Açude do Boqueirão que fica na Paraíba (Bob = Roberto Coutinho da Motta era Paraibano) e ao navegar do Boqueirão ele veio sair na Boca do Rio Potengi que desagua em Natal tendo de um lado a Praia do Forte e do outro lado a Praia da Redinha… qual viagem imaginária o tal Cigano nos conta aqui neste “causo”!
Quanta saudade das nossas conversas rimadas! - ainda que muitas foram apenas em espírito!
Vai em PAZ Bob Poeta Matuto!... com certeza!  
... lá tu vai incontrá
lá no além de Nosso Siô
de novo tu vai le amá
Tua Adele... o teu grande Amô!
 
Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
08/07/2017
Nota do Autor: texto em Homenagem Póstuma ao grande Amigo Bob Motta - o Poeta Matuto!

 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 08/07/2017

Música: António dos Santos Partir é morrer um pouco - Desconhecido

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