A honestidade do homem público se reflete mais nos actos e muito menos nos factos que, tantas vezes são adulterados pela mão dos que dela se aproveitam.(Silvino Potêncio)
CapaCapa
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos


Eu, Olho e vejo mas não me alcanço!...

... Olho e vejo, mas não me alcanço!
Choro e rezo mas já não tenho perdão.
  Imploro, mas não ouço as minhas preces!
   Escuto as sentenças que em balanço,
  Vão medindo os pecados desde então.
 Subindo vai o meu corpo enquanto eu desço.
*************


 
Nunca nos encontrámos pessoalmente, mas o Amigo Jornalista Fernando Cruz Gomes, (do Jornal Provincia de Angola) ele elaborou um texto com Audio, sobre o meu "estado de espírito naquele tempo,  que muito  me surpreendeu, quando ele mo mandou virtualmente lá do Canadá há muitos anos atrás! - O Título é deveras realista e auto explicativo:
O Potêncio outra vez a chorar...
 
"... Não restam dúvidas. Quando o Potêncio escreve – e da forma que o faz – não é ele a escrever.
- Tão pouco o que se vai lendo... se pode ler sem ter, ao lado, um dicionário místico daqueles que têm a ver, tâo sòmente, com o linguajar da Alma que, vindo das terras de África – especialmente Angola, eu sei – deixe entender o simbolismo dos conceitos e o explanar de atitudes.
O Silvino sabe manejar, como poucos, a pena. Aprendeu, talvez, nas escadas íngremes da Leba, à sombra de um ou outro imbondeiro que ainda por lá deixaram, quiçá mesmo a mergulhar os pés na água do riacho ou do mar... que une as Pátrias sem as escravizar. Portugal. Brasil. Angola. Por que não o Canadá, também?!
A verdade é que os tais “retornados” – e muitos nem “retornados” podem ser porque só se “retorna” onde já se esteve – criaram uma forma de ser muito sui generis. Entendem a alma dos outros e só pedem que lhe entendam a sua. Nivelam pelos seus os conceitos dos outros, entristecendo-se, de morte, quando entendem que... mais uma vez os enganaram.
E é por isso que eu entendo cada vez mais o Silvino Potêncio. Mesmo que ele diga que não, ele escreve a chorar. Mesmo que queira fazer rir, que se anarfanhe para ninguém lhe ver as lágrimas... ele está mesmo a chorar. Um passado que se foi?! – Decerto. Mas chora, também, um Futuro que... assim... é capaz de o deixar de ser.
Deixem o Silvino chorar. As suas lágrimas juntam-se às de muitos outros, espalhados pelo mundo...  Pode ser que façam um mar. Um mar só nosso. Que nos una a todos. Mesmo àqueles que da lei da morte se foram libertando.
Olá, Silvino! Eu também choro... sabe?! Só não tenho – não consigo ter – a sua habilidade de amarfanhar os sentimentos. E tentar que pareçam sorrisos... as tristezas de uma alma que é igual à sua.
Fernando Cruz Gomes - Toronto "

Nota de Rodapé: Esta análise do Dilecto Amigo Fernando Cruz Gomes foi certamente uma sintese do meu estado de espírito quando eu escrevia a maioria dos meus poemas de Angola bem antes do malfadado 25 de Abril de 1974. Sem nenhuma intenção de ser "futurista" por causa de muitos factores adversos desde a minha chegada à Emigração com apenas 13 anos de idade, por vezes, eu creio que já advinhava a desgraça que se abateu sobre mim e mais alguns milhões de Portugueses e Portuguesas . Por isso eu costumo pensar em que... aos 25 anos de idade a minha  vida era um livro aberto com as folhas soltas ao vento, e num repente... não mais que num repente surgiu um vendaval - autêntico tsunâmi - chamado de Descolonização do Ultramar Português! 


 
 
 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 20/10/2018
Alterado em 07/11/2018

Música: Maria Dia Pambala - Desconhecido

Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários