As Rimas do meu versejar são veredas por onde vagueia a esmo a poesia, sem rumo, sem norte, cujo azimute é apenas um mote! (Silvino Potêncio)
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
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                   (Agradeço a quem me mandou esta foto) 

Onde estão os meus Amigos ?!... Emigrantes E Retornados... 
- Mais tempo se perde fazendo as coisas precipitadamente do que as realizando com paciência, (Tommaseo) -
a simples condição de ser Emigrante Luso, é sobretudo uma excelente maneira de exercer o condão da paciência para algum dia poder voltar ao lar. - Silvino Potêncio, Emigrante Transmontano!   
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Já três décadas se passaram desde que nos foi prometido um regresso digno de filhos respeitados e respeitosos para com o país que nos viu nascer, a nós, aqueles que fora do país estávamos na época, mas que juridicamente era como se estivéssemos dentro do território nacional.
- Na sua grande maioria, os mais de três  milhões de cidadãos portugueses movimentados ao longo do ano de 1975 e anos posteriores,  eles passaram da condição de fonte de renda para o estado português, para uma situação de aflição e sufoco administrativo dos recém empoleirados na democracia titubeante como dançarina em sapatilhas de balet na ante estreia do canto cisne lusitano...
-  Sufoco esse que disfarçadamente, e com o beneplácito de “gregos e troianos”  ele, pura e   simplesmente redundou na desgraça de tantas vidas interrompidas bruscamente embora altamente promissoras em termos de expansão da lusitaniedade, e das consequentes causas que nos levaram a efeitos os quais jamais podemos esquecer. Acima de tudo, nunca jamais aceitar que se levante a ponta do carpete da hipocrisia,  e se empurrem para debaixo dela tantos erros de contritos confirmados.
- Mas o “palácio das necessidades” segue impávido e sereno na sua rota da ignorância quanto aos problemas dos emigrantes, cidadãos natos outros que não aqueles que tenham acesso ao passaporte comunitário, porque a velha máxima continua a ser seguida à risca!... Somos e sempre seremos  um povo de brandos costumes, por isso ... “longe da mão, longe do coração”! 
- Para ir para um país estrangeiro, outro qualquer que não uma ex colônia,  era necessário ter um passaporte. --- Para ir para o ultramar era tão só necessário comprar bilhete na CNN (companhia nacional de navegação) e subir ao portaló do navio para embarcar.
- Embora menor de idade, eu jamais me lembro de alguém ter me pedido qualquer autorização especial  para ir para o ultramar,  além das vacinas de praxe que se tiravam lá na Junqueira, justamente no hospital do ultramar.
- Em tempos que já lá vão, os nossos governantes foram responsáveis por milhões de vidas humanas e outros tantos destinos bruscamente interrompidos por vontade política de uns poucos em detrimento do prejuízo moral e material de muitos!, prácticamente todos!,... e não me lembro de eu ter votado ou sequer ter conhecido qualquer candidato em campanha fora do território continental e insular para chegar ao “poleiro”,  que aliás lhes foi oferecido de mão beijada pelas forças armadas revolucionárias.
- Mas, as nossas forças armadas eram tão pacificamente revolucionárias que as levaram a se transformarem em revoltosas e elas se revoltaram contra quem afinal!?... além delas mesmas?
... Colocados os pesos na balança, a meu ver, tanta culpa tiveram uns como os outros; do lado dos libertos eles jamais souberam administrar a liberdade que lhes foi dada. E do lado dos libertadores sempre ficou uma vontade extrema de apenas vestir a calça verde-oliva e deixar o leme do barco para alguém que soubésse cumprir a tarefa.
- Pelo que vemos depois destes anos todos decorridos, resta-nos a discussão eterna de saber quem veio primeiro o ovo ou o dinossauro!
- Ficou-nos sempre o trauma dos fantasmas do passado, onde: quando as coisas correm bem, esquecemo-nos de tudo, e até abraçamos o árbitro que apitou a semi-final do campeonato em 1966!... já se as coisas correm mal, somos todos uns génios a descobrir os erros dos outros, a enaltecer qualidades e virtudes dos mortos mais ilustres!
- Facilmente desenterramos o “home de Santa Comba... (Dão, tudo de graça) para justificar o injustificável déficit financeiro das contas públicas e nunca nos lembramos que ao votar nos mesmos nomes é simplesmente endossar o mesmo cheque várias vezes até que ele não tenha mais desconto em caixa.  
- A informação escrita e falada na época ela se comportava ideológicamente como figurante atrás do biombo dos livros semi-pornográficos, do tipo do José Vilhena (data vênia) que ninguém podia comprar na livraria,... mas todos liam às escondidas nos fundos de quintal, nas casas de banho, e retrétes de repartições funcionais, e  em outros cantos onde  quase toda a pessoa normal acha-se dona do mundo secreto e individual!, o trono onde todos somos reis e senhores absolutos.  
- Enquanto isso ele,  o autor,  acabava sempre por ser incomodado porque, com a sua obra literária gerava muitos maus-costumes, muitos mais maus hábitos e, ... como em política,  o hábito faz o monge, os livros dele induziam à práctica indiscriminada do imaginário proibido por lei, contudo extremamente desejado pelo contraventor.
- Ele, o autor,  ia para traz das grades por uns tempos, (hoje, por exemplo pessoal eu me sinto atrás delas o tempo todo)  acusado de atentado ao pudor, investidas à moralidade publica,  mas em contra-partida,  na sua retirada de circulação temporária,  ele ganhava a paz da cela para selar ali mais umas idéias para a próxima publicação.
- No meu subconsciente me recordo de uma tertúlia estudantil, havida intramuros,  ali pelas bandas do bairro de Alvalade em Luanda, onde apareciam as ultimas novidades trazidas do reino por transeuntes do regime, e alguém chegava com uns sussurros da fonte criativa: olhai, eu trouxe um disco do Zeca que saiu em Coimbra no mês passado, mas coitado!, ... ele nem chegou a saborear o lançamento. Já está preso novamente e quando ele sair vamos ter mais novidades! - psicodélicamente falando ele se inspirava mais atrás das grades do que em tempo de liberdade, por isso a cantou e decantou da forma que lhe aprouve melhor!
- Hoje com muita paciência ele, o autor,  coloca a sua obra nas bancas e nas telas e ninguém mais se importa com isso.
- Em casa com a porta escancarada ninguém se preocupa em olhar o que está lá dentro!,... a não ser por força de hábito ou alcovitice congênita.
- Fosse a obra de descolonizar os povos, principalmente aqueles que se entendem na língua do Fernão Mendes Pinto,  um livro de sabedoria e paciente formulação com diálogo, com democracia e sobretudo com respeito a esses mesmos povos colonizados e colonizadores,...  e certamente hoje estaríamos todos muito melhor.   
Por força das minhas circunstâncias pessoais, morais e materiais do momento actual,  eu tenho ultimamente me aproximado bastante do tal contingente de cidadãos pastorados e brandamente monitorados pelos ocupantes do palácio das necessidades. Quando os encontro lá dentro do rectângulo ao sul da “trêsminas” romanas de exploração de ouro do século II P.C. (entenda-se mais ou menos uns 200 anos Pós Cristo) onde todo o erário publico era severa e meticulosamente vistoriado e encaminhado a Roma pelas tropas do imperador Augusto, eles me dizem; olha pá!,... isto aqui está tão mal, mas está tão mal que já nem sequer cá temos os mau-olhados.
- Não há cá nada para se olhar, por isso nem temos maus-olhados!
Pior! - Não temos cá ninguém que olhe por isto,... e o Quim Barreiros  (saravá ó grande mestre da concertina Minhota) ele, continua a cantar; ... onde estão os meus amigos?! - uns morreram na guerra, outros fugiram p’ra França! 
Entretanto, atravessadas que são as grandes águas em direcção aos mares do sul, esses mesmos que não gostam de mau-olhados por lá, eles chegam por cá e por razões que Deus lá sabe, eles só veem cá para nos olhar com maus olhos. 
- São olhos desconfiados porque, gato escaldado tem medo de água fria! ... afinal os que antes recebiam os emigrantes em conta-gotas hoje os exportam a cantaros.
Os meus “ ® OS NÏZCAROS! “ de hoje recordam-me uma velha quadra Coimbrã a qual dedico aos membros do comité de campanha (todas elas sem excepção) para se escutar em noites de serão invernoso do tipo dos da minha aldeia de Caravelas em Trás-Os-Montes; ... quando eu morrer, rosas brancas,.../ para mim ninguém as corte! - quem as não teve na vida, / Também as não quer na morte.
Silvino Potêncio/Emigrante em Natal-Brasil 

(Texto Extraído do Meu Livro e Blog Homônimo "OS NÏZCAROS")
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 16/12/2018
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