Se recordar é viver, então recordemos! --- Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores tristes de um passado já distante!
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
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Das minhas lembranças de criança em Trás Os Montes, eu guardo aquelas conversas dos adultos no interregno do Inverno para a Primavera, pois nesta época do ano se aguardava a natureza dar vida às sementes que, como sabemos, teem de morrer para dar novas vidas à vida.
Anos depois e nas minhas andanças por este "jardim à beira plantado" (tão mal tratado nos dias de hoje, diga-se de passagem!) ao me sentar debaixo da Estátua do Grande Poeta "Bocage"  e por não ter ninguém para conversar, eu conversei com os meus botões:   

Conversas de “soalheiro”!...
Que me trazem tantas saudades,
Algumas até são novidades dos tempos de antigamente!
Quando eu brincava entre a gente,
Na aldeia aonde eu nasci,
E da efêmera infância que lá vivi!
São laivos da recordação,
Que eu trago no coração com a idade que eu tenho!
Quando me encontro a pensar,
E vejo que já não venho,
Sequer por não ter com quem conversar.
O Sol já se vai esconder,
Na noite de chamas a arder,
Escura do entardecer de um Povo a envelhecer!
São conversas a esmo no tempo e no vento,
Que voam para o infinito,
Da minha memória quando eu grito... ou tento.
Oh gente da minha terra, este meu canto encerra!
Um portal imaginário,
Que eu vi do alto do Campanário...
Da Igreja que me ensinou a ter Fé,
A acreditar no destino deste meu sonho de menino!
- Conversar na soalheira da tarde,
Sentado em cima da pedra,
Do caminho ali encostada...
E talvez de propósito ali deitada, ela dormiu encantada!
Noite adentro já bem cansada,
A conversa esmoreceu!,...
A saudade simplesmente morreu!...
E eu conversei comigo mesmo... só eu!
(In: POESIAS SOLTAS)
Autor: Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
+++++++++++
Nota de Rodapé: se eu pudesse conversar com o Poeta lá no alto do seu Pedestral de Menestrel da Piada Rocambolesca, das agruras de uma sociedade faminta de fofocas e mexericos, da arte da Pantumina e do verdadeiro sentimento do POVO que me viu nascer, por certo eu lhe ouviria este monólogo que me acompanha a mim em surdina toda a vez que "converso com os meus botões" em poesias soltas ao vento da minha imaginação. 


 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 23/02/2019
Alterado em 06/06/2019
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