Cada poeta é um Mundo//Cada Leitor é mais um visitante. A nossa passagem pela vida é apenas uma fase Mutante. (Silvino Dos Santos Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979)
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos



 Nóis Fumo Ó Mercado da Rócas!


Em homenagem aos Poetas Cordelistas  Potiguares, eu deixo-vos aqui mais este texto em forma de verso rimado assimétrico! 

De: Silvino Potêncio >

 

"Nóis fumo ó mercado da Rócas,

 P'ra fazê um troca-troca,
Da nossa literatura.

  Ali xiguêmo, à pois intão!?

   E foi com muita emoção,
Que nóis fizêmo a transação!

     “Purquê” nóis tem lá muita cultura. 

- Pendurada no cordel,
Lá tinha versos em papel.

     P'ra fazê um troca-troca,
Da nossa literatura.

Tinha poema rimado,
E tinha livro já usado,

Até tinha disco de pedra e vinil.

 Tinha muita poesia,
De gente que nós nem sabia,

  Que um dia lá existia!

   - Era um “tár de Luis d’ Camões”,

E outro de Luis Carlos Guimarães. 

E outro Da Cunha Lima,
Quê das leis ele tá por cima! 

Até do Siô Camara Cascudo,
Lá tinha de um todo, um tudo!

Foi uma beleza pura!

- fizêmo lá um troca-troca,
Da nossa literatura.
 

- Àpois Nóis fumo ó Mercado da Rócas,

   Et fizêmo lá um troca-troca,
Da nossa literatura. 

    De repente, por entre a gente,

Do mercado da Ribeira,
Ali xigou uma turma inteira,

  Com mãos e braços repletos,
De livros e de panfletos com sonetos.
 

  Do “tár Machado de Assis”,
Aquele que escreveu pelos Brasis,

    E até lá du Santos Reis,
Nóis também vimo aparecê. 

     Um porreta estrangeiro,
Que por ser um português,

      Ali virou nosso freguês! 

À  pois intão?...

Nóis fumo ó mercado da Rócas,

P'ra fazê um troca-troca,
Sem gastá nem um tostão.

Purquê isso nóis não tinha não.  

- tinha só um trocado na mão! 

Da venda do outro dia,
Quando nóis  fumo em romaria.

Ao bairro da Cidad'Alta,
Aonde Sebo lá não falta,

P'ra fazê a transação. 

- Intremo na Conceição,
Ali por trás da Igreja.

   Assim nóis lá discubrimo,
Que  tem livro que é um mimo.

    Tem até lá obra primo,
Do prémio da literatura.

     Fiquemo até cum inveja!  

     De tanta literatura,
Do cordel e do pincel,

Pois lá tem também pintura.

P'ra fazê um troca-troca,
C’ua nossa literatura.

Muita coisa nóis ali vimo, 

E é bestial, é massa!, é sensacional,

Poder viver em Natal.

-  à despois que nóis viêmo de Portugal.
 

Autor: Silvino Potêncio – NATAL – 1999/2000  

(Emigrante Transmontano em Natal/Brasil)  
Original publicado no Blog do Autor: http://zebico.blog.com (desativado desde Maio/2016)  agora republicado no Blog "Crônicas da Emigração"!
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 29/08/2010
Alterado em 21/02/2020
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