Cada poeta é um Mundo//Cada Leitor é mais um visitante. A nossa passagem pela vida é apenas uma fase Mutante. (Silvino Dos Santos Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979)
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos

 

O meu fado “con-finado”!

 

Um “gay jo” p’ra ser Fadista,

Tem que ter golpe de vista…

Gingar e ser aprumado!

Andar sempre sem dinheiro,

Frequentar o “Limoeiro”

E ser como eu “Retornado”!

 

Imitar o Conde de Vimioso,

Ser um prefeito mentiroso,

Frequentar a “Brasileira”,

Escrever poesia brejeira
Na calçada do Chiado,
E ter amantes no Fado!

Depois de passar no Rossio,
A trautear em assobio,
Ir até ao Bairro Alto,
Em noites de sobressalto
Fugir da Rusga embuçado,
E ser como eu fui “Enjeitado”!

Cantar bazófias da vida,
Mentir p’ra gente garrida,
Desta Lisboa altaneira,
Que brinca na noite inteira,
Ao som de uma pungente guitarra,
Que sózinha toca uma fanfarra!

Quando já é quase madrugada,
O sol espreita pela sacada,
Coberta de flores e manjericos
As canções e os mexericos,
São fados de amor mal-falado,
E serão tristes como eu aqui “Confinado”!

(in: POESIAS SOLTAS De; Silvino Potêncio)
Emigrante Transmontano em Natal -
Junho/2020




Os "Tinhosos" do ROSSIO!...

De: Silvino Potêncio

Dos muitos apelidos que recebemos no periodo pós 25 de Abril - alguns infelizmente criados até em jeito de gozação irónica onde se situava a classe social Portuguesa da Praça Luz & Tana como sendo constituída por APENAS TRÊS TIPOS DE PORTUGUESES : Retornados, Emigrantes e "Domésticos"... cada um que por lá passou em finais de 1975 principalmente na Baixa Lisboeta, lá saberá em que classe ele se encontrava!...

Posto isto deixo-vos aqui um poema daquele tempo para homenagear outra sub-classe de Retornados:

A minha Ode aos "Tinhosos" do Rossio!!!

No Rossio ou Mouraria,
Em toda a esquina existia!
Um grupo de Retornados.
Era um disse que "tinha" tão grande...
Que da Baixa ao Campo Grande
Ali só se viam "tinhosos"!...

Passei de frente ao Saldanha,
E a raiva era tamanha...
Que a gente corria encilhada,
Já prontos para ir a galope
P'ra cima daquele torpe
Politico dos mais rançosos!

Coça daqui e dali,
Semanas e meses eu vivi!
Em busca de algum sustento
Lá fomos para o Gueto Algarvio!
Tal qual sardinha enlatada por um fio,
Uns por isto, outros por nada...

Do IARN à palhaçada,
Dos Acordos do Alvor não sobrou nada!
Nem fruto nem dignidade...
Portugal envaidecido na Sorbonne Leiloado
- E por ter uma Guerra Perdido
Ali foi todo vendido ao capital estrangeiro.

Quem deu mais foi o primeiro,
A zarpar p'ro estrangeiro...
Em cima da fama assentado,
Ufano de voltar ao lar
P'ra todo o Povo enganar
Foi ele... o Bush Echas tão lampeiro

A enriquecer tão arteiro,
A praticar o "Escambau"
Que do Minho até Macau,
Açambarcou o que pode
Feito Lobo em pele de BODE!...
E assim quem tanto tinha, ...
Hoje nada tem, ali definha!

(In; Poesias Soltas - Lisboa/Nov.1975)
Autor:Silvino Potêncio

 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 07/12/2010
Alterado em 16/06/2020
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