Cada poeta é um Mundo//Cada Leitor é mais um visitante. A nossa passagem pela vida é apenas uma fase Mutante. (Silvino Dos Santos Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979)
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos



Recebi uma fotomontagem há vários anos atrás, na qual se lê que " a potência intelectual do Homem está de acordo com a sua capacidade humorística"! 

Pensei nesta hipotética verdade filosófica e,  depois de uma conversa com um Crítico Literário ( O Saudoso Amigo e Poeta Coronel Joaquim Evônio)  que leu alguns dos meus escritos em forma de sátira, cujo título eu publiquei em Blog e Livro Homônimo "OS GAMBUZINOS"  ele me dizia...Isto que escreves resume o que penso sobre charges e outras cositas "más"  (este "cositas más" não é um predicado de boas qualidades e sim um adjectivo de quantidade usado por "nuestros Hermanos").
A cada leitura que aqui se faça as ilações são de cada um pois que, sabemos, cada leitor tem a sua interpretação pessoal. E para justificar a minha opinião pessoal a respeito, eu vou abrir uma exceção à minha Regra Ética.
Por norma eu não costumo transcrever poemas de outros autores sem a prévia permissão, mas hoje eu sigo o pensamento do Inolvidável José Régio. Quem, evidentemente,  não pode me dar autorização para eu me espelhar aqui neste seu pensamento unipessoal.
A coincidência de pensamento é simples: o Poeta faleceu no ano em que eu entrei para a Escola de Aplicação Militar por força de lei. Qualquer um, ao completar 20 anos de idade naquele tempo (1969) era obrigado a entrar para o Serviço Militar; Exército, Marinha ou Aeronáutica, e eu fui! Mas claro eu sabia que não era o meu caminho.  É que, desde que me conheço, por norma ou presunção eu também costumo recusar a ir por onde outros querem que eu vá! 
E esta sina, que há muito me fascina e faz sina, fica latente na maioria da minha modesta rota literária.  
Por isso escolhi este poema, que transcrevo com muito agrado, não por falta de talente meu ou inspiração e sim tão só porque " eu também  só sei que não vou por aí!"  

"CÂNTICO NEGRO" -  "Sei que não vou por aí!..."
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços, E nunca vou por ali.
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! --- Só vou por onde
Me levam meus próprios passos.
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí.
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Autor: José Régio
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Nota de Rodapé (in memorium)  
Meu Caro Poeta José Régio ( Data Vênia) eu faço minhas as tuas palavras pois também eu só sei que não vou por aí! e acrescento; amigos não se despedem, marcam encontro em outro lugar! Até lá... 
Silvino Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 09/01/2015
Alterado em 21/01/2020
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