Cada poeta é um Mundo//Cada Leitor é mais um visitante. A nossa passagem pela vida é apenas uma fase Mutante. (Silvino Dos Santos Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979)
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos
Uma das melhores formas de aliviarmos as dores tristes de um passado já distante, é recordar e reescrever as nossas alegrias de hoje! 
Ao ler as cartas que me chegam por email pelo FB e também pelos comentários nesta minha Página Literária volto no tempo e o tempo passa melhor, mais leve, menos acachapante no pensamento que nos vai na Alma.
Modelo de Carta que usávamos durante o tempo de Serviço Militar que era obrigatório! A carta aqui embaixo eu a recebi por email de alguém que já não consigo descortinar aqui no meu Baú.   Caso algum dos meus Amigos de Luanda se identificar com este texto, por favor me avise!  

Transcrevo da mesma forma que a recebi porque me espelho em quase tudo o que aqui foi escrito; 
Saudades de Luanda 

Disto eu tenho saudades eternas !
Porra ... já me veio a lágrima ao canto do olho .
O autor desse texto é o Ninito. Figura muito conhecida em S. Paulo, Luanda.
Recebi-o de uma pessoa amiga e gostei muito pelas recordações tão boas que ao fim de todo este tempo ainda perduram. Tudo tão simples, mas bastante para termos sido tão felizes naquelas longínquas paragens!

TENHO SAUDADES DE LUANDA!
É tão bom recordar! Faz doer, mas sabe bem! Ai que saudades do nosso tempo! Que saudades da nossa "malta"! Que saudades do nosso "Cine-Colonial" e o filme "Aventureiros na Lua"! Que saudades do "Sansão e Dalila"! Que saudades da "Auto-Reparadora" e da Igreja de São Paulo e da "Minerva"! Que saudades do Sr. Brito da Farmácia S. Paulo, que tratava as equizemas, conhecidas por "flor do Congo"!
Que saudades das sandes de peixe frito do velho "Campino", e daquele seu "boteco" defronte da Farmácia São Paulo! Ai que saudades dos doces de ginguba da velha Donana!
Que saudades do Sr. Torrão que vendia no seu carrinho de gelados, os "pirolitos" e a "paracuca", do Seixas! Do "Carinhas"! Do palhaço "Pipofe" e do Carlos da "Casa Lina"! Ai que saudades do "Bar Mariazinha e do Sr. Azevedo.

Ai que saudades de todas estas saudades!
Saudades de ti, saudades de mim, do tempo e das palavras inocentes que utilizávamos nos nossos diálogos. Há palavras do tempo que faz e há palavras do tempo que é. - As palavras do tempo que é, escondem-se por dentro do tempo que faz e certas palavras do tempo que faz matam a palavra do tempo que é!!
Lembras-te do Baleizão e das sandes de presunto e daqueles "finos" de cerveja CUCA, tiradas à maneira, pelo Tarik?
E dos restaurantes da conduta com o seu inigualável bacalhau assado na brasa com as travessas cheias de azeite e do frango de churrasco e de cabidela com arroz malandro, também eles confeccionados nos restaurantes da conduta.
Lembras-te do Bairro Zangado e do Muceque Mota? Do Rangel, da Maianga, Vila Alice, Vila Clotilde, Samba, Praia do Bispo, Cassequele, Ingombotas, Marçal, Farra do Braguêz, Bairro da Lixeira, Sambizanga, Caoope...LEMBRAS-TE?
E dos Cinemas: "Tropical", "Nacional", "Império", "Miramar", "Restauração", "Cine-Colonial", "Kilumba"... E do "BÊ-Ó"? Com aquelas suas "baronas" (Bailundas, Madeirenses, Indianas, Cabo-verdianas, "Tugas" de Viseu, da Lourinhã e de outras localidades daqui do "Puto"!).
 E da "Cagalhoça"? E da "Maria das Pressas"? E das "Aleijadinhas" (Irmãs gêmeas)? Grandes "trumunos"!! Cacuaco, Caxito, "Mabubas", "Quifangondo", "Marabunta" inicialmente no Kaiser vermelho e mais tarde no seu "Chevrolet descapotável também ele vermelho".
Aiué "Santo-Rosa"! Aiué Loja dos "Cambutas"! Aiué "Casa Branca"! Aiué "Catonho-Tonho"! Aiué "Casa Carmona"! Aiué "Gajajeira"! Aiué "Casa Sabú"! "Casa Queimada"! "Karibala"! Desportivo de São Paulo! Aiué "Copacabana"! Aiué o "REX"! Aiué "Liceu Salvador Correia"!
Rádio Clube de Angola, com a voz inconfundível de Santos e Sousa! "Uma voz portuguesa em África"! Aiué "Lusolanda", "Robert-Hudson", "Casa Americana", "Bicker", "Quintas e Irmão", "Armazéns do Minho", Aiué "Poço da Morte" com Fernando Silva, "jovem audaz artista português, que sobe as paredes lisas, sem feitiço, do Poço da Morte"! Subam Meninas! Subam! Irão assistir a um espectáculo nunca dantes visto, onde há a perícia, o Arrojo, a audácia, o sangue-frio e o desprezo pela vida!
Depois do espectáculo, a entrevista ao "Bumbo":
-Então Amigo? O Senhor gostou do espectáculo?
Resposta do patrício:
-Quer dizer...gostar, gostar, propriamente não lhê gostei.
Maje...não deram o Arrojo, qui diziam qui davam!
São essas recordações, que nos fazem chorar de saudades! A fragrância da "Katinga", do "Mufete", "Carangueijo de Moçamedes", garôpa, peixe galo, peixe pungo, corvina, peixe prata, o popular "Cacusso assado com feijão de óleo de palma", do "pirão" (caldo com farinha e peixe), indicado para se tomar após uma "ressaca"! "Kimbombo", "Marufo"?!!!!
E a nossa Ilha!!!!! ???? Ilha distante...tépido Sol...amena frescura das tuas ondas tropicais outras vezes perigosas conhecidas por calema; Acalmia, sossego e paz no encanto da embriaguez de um e do outro. A voz do tempo! A voz daqueles que já partiram!!! A sua voz, suavemente, relança o tempo que é numa estranha melodia que se entranha no íntimo até ao limiar do desejo. AIUÉ MINGUITO, com a sua concertina!!
 Aiué Velha Guinhas (Cega), mas que via mais do que todos nós!
TUDO PASSOU, TUDO PASSA.Um oculto fogo nos ateia a alma.

O tempo parece-nos infinito nessa paragem de mágico sabor...e a ilha do Mussulo, para onde íamos transportados pelo Kapossoka e pelo Kitoco.
PORRA...TOU CHEIO DE SAUDADES DE TI....LUANDA!!! "
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EU SEI!...  (016)
 
Eu sei que jamais esqueci,
 Eu sei que não quero olvidar.
  Eu sei que em Luanda vivi,
   Eu sei que a hei-de lembrar!
                       
Eu sei que estás mais erudita,
 Eu sei que também me ensinaste.
  Eu sei que em Luanda há Rebita,
   Eu sei que  em beleza ganhaste!
 
Eu sei o que fostes p'ra mim,
 Eu sei o que me podes fazer.
  Eu sei que quando chegar ao fim,
   Eu sei que voltarei para te ver!

Eu sei que já estou caminhando,
 Eu sei que vou ter de escrever-te.
  Eu sei partir... mesmo chorando,
    ... Pois eu sei quão difícil é esquecer-te!
(in: "Eu, O Pensamento, A Rima"! )


 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 17/08/2017
Alterado em 27/04/2020
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