Cada poeta é um Mundo//Cada Leitor é mais um visitante. A nossa passagem pela vida é apenas uma fase Mutante. (Silvino Dos Santos Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979)
Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos
"OS NÏZCAROS" - As Minhas 10 (Dez) Ilusões 


O livro "OS NÏZCAROS" de: Silvino Potêncio (Emigrante Transmontano em Natal/Brasil) é uma colectânea de 50 crônicas com textos alegóricos à Politica dos Governos Portugueses desde Abril de 1974 até aos dias de hoje... a título de prólogo em resumo eu conto nas últimas 3 paginas as minhas maiores (DEZ) ilusões de cidadão Português Emigrante:

Crônica numero 050 -
Parte I 
 
"Dez ilusão" número um:  por imposição social, para entrar no colégio, compraram-me um "bivaque" da cor escura, de um outono auspicioso de um inverno interminável, cujo destaque era um emblema de numero 1 (um) e nos ombros um "dolman" da mesma cor, ainda que um pouco mais suave, com botões em relevo das cinco quinas, que eu usava em conjunto com um "cinto muito" a propósito, e aonde tinha a letra "S" na fivela para me segurar as calças e não me deixar ver as partes mais intimas do meu ego, que era o de um ser apenas mais um lutador voluntário da pátria, um infante de apenas uns meros 11 anos de idade.
- Imaginei-me um soldadinho de chumbo e fui "chumbado" por falta de cabedais para ir além do segundo ano de matrícula no Liceu Nacional de Bragança. Penso que o "estado" podia ter-me ajudado em algo mais!...Porém, naquele tempo só os bafejados pela instrução primária sabiam ler e a preocupação maior não ia além da Quarta Classe. Por isso era necessário começar a trabalhar em alguma coisa. Eu fui guardar ovelhas e cabras até aos 13 anos de idade.

Crônica de numero 050 - Parte II  


"Dez ilusão" número dois: por Edital Nacional no início dos anso "60" em Portugal convocaram-se famílias do interior do país - e de preferência as mais analfabetas possíveis - para se fazer uma colonização cristã, socialmente católica e ordenada em terras de Além Mar, aonde se pretendia levar a civilização de forma ordeira e controlada pelo poder central. - Por força do destino eu e a minha familia chegámos atrasados ao "campo de concentração", imaginado às portas da Câmara Municipal de Alfândega da Fé,  como se as nossas vontades e desejos pudéssem ser cronometrados com hora e data marcados préviamente, a "bel-prazer" de quem nunca jamais teria a presupostamente qualquer mínima  responsabilidade de nos dar o pão para a boca,  ou a paz às nossas atribuladas mentes de necessitados no meio da  multidão de miseráveis campesinos  a arrastar arados e tremonzelas, charruas e outras farpelas, atrás de mais um grão de centeio para sublevar os meses de inverno, qual inferno de nossas existências terrenas.
- Melhor sorte tiveram os apenados, degredados pela justiça dos homens, que depois de condenados e em seguida embarcados para terras do fim do mundo eles seriam sempre e assim definitivamente escorraçados do  sistema;  Desses a maioria que sobrevivia após soltos dos grilhões em plena selva das colônias, dali não precisavam mais fugir porque já estavam em liberdade... Eu não fui degredado e sim apenas mais um Emigrante  e o Estado podia ter-me ajudado mais porque éramos pessoas de bem querer à pátria. A continuação desta crônica está agora inserida neste livro que já se encontra publicado. Pode ser adquirido através do site do Clube de Autores.
 
 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 05/01/2019
Alterado em 19/01/2020
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